CERT.br atualiza guias de segurança digital e inclui, pela primeira vez, alertas sobre inteligência artificial

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Flavio Sartori

O CERT.br, do NIC.br, lançou a terceira edição dos guias gratuitos Internet Segura, que trazem pela primeira vez orientações sobre os riscos da IA. As publicações foram apresentadas na quinta-feira (29), durante o 11º Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet, em São Paulo. O lançamento ocorreu em outubro, mês do Dia das Crianças e da conscientização internacional sobre cibersegurança.

Os guias têm duas versões: uma para crianças de 8 a 12 anos e outra para pais, responsáveis e educadores. A primeira edição é de 2017, e a segunda, de 2022. A revisão levou em conta principalmente o ECA Digital (Lei nº 15.211/25), em vigor desde março deste ano, e as mudanças do ambiente digital na última década.

A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Cetic.br/NIC.br, mostra que 92% dos brasileiros de 9 a 17 anos usam a Internet, o equivalente a 24,5 milhões de pessoas. Quase dois terços desse grupo já recorreram à IA generativa. Entre os usuários dessa faixa etária:

  • 59% usam IA para pesquisas escolares ou estudos.
  • 42% a usam para procurar informações.
  • 21% a usam para criar conteúdos, como textos, imagens, vídeos ou códigos.
  • 10% a usam para conversar sobre problemas pessoais ou emoções.

"O ECA Digital traz novas diretrizes para a proteção desse público, enquanto tecnologias como a inteligência artificial apresentam situações que precisam ser compreendidas por todos", afirma Miriam von Zuben, analista de segurança do CERT.br, responsável pela publicação e uma das especialistas da TIC Kids Online Brasil.

O guia "Internet Segura: Divirta-se e aprenda a usar a Internet de forma segura!" ganhou orientações sobre IA generativa no dia a dia. Sobre o uso de chatbots nos estudos, recomenda usá-los como apoio, conferir as informações e apresentar os trabalhos com as próprias palavras.

O material também trata de ferramentas que simulam conversas e parecem "amigos" ou "companheiros". Ele explica que esses sistemas não são pessoas, podem dar respostas erradas ou influenciar quem conversa com eles, e alerta para o risco de compartilhar dados pessoais.

Outro tema inédito é o dos deepfakes, imagens, áudios e vídeos criados ou alterados por IA que podem parecer reais. As crianças são orientadas a questionar a autenticidade do que veem e a conversar com um adulto de confiança em caso de dúvida ou desconforto.

O guia aborda ainda publicidade disfarçada, proteção de dados e classificação indicativa de jogos e aplicativos. Essa classificação passou a incluir a faixa de seis anos e a considerar a possibilidade de interação com assistentes de IA.

O guia "Internet Segura – para seus filhos: Sua participação é muito importante!" ampliou a seção "Conheça os riscos" e ganhou a seção "Conheça o ambiente digital dos seus filhos". Ela incentiva as famílias a conhecer os ambientes usados pelas crianças e a verificar classificação indicativa, recursos de proteção e configurações de privacidade.

A nova edição também aprofunda o sharenting, o compartilhamento de fotos, vídeos e informações sobre crianças pelos próprios familiares. Destaca os riscos à privacidade, à segurança e à imagem, sobretudo quando há fins comerciais.

Outra novidade é o tópico "Aconteceu um problema? Saiba o que fazer". Ele orienta os adultos a acolher a criança, preservar evidências, proteger contas e procurar o canal de denúncia adequado. Entre os canais citados estão as plataformas digitais, o Disque 100, a SaferNet Brasil, a ANPD e a Ouvidoria do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O material recomenda combinar mecanismos de supervisão parental com conversas sobre conteúdos, interações e experiências online. O acompanhamento deve considerar também a qualidade das atividades e seus efeitos na rotina, no sono, nos estudos e na convivência familiar, e não só o tempo de tela.

"Estabelecer limites de tempo de tela é importante, mas também é preciso compreender o que as crianças fazem quando estão conectadas. O diálogo, o exemplo dos adultos e o acompanhamento adequado a cada fase do desenvolvimento contribuem para que elas construam autonomia e senso crítico", diz Miriam.

As publicações estão disponíveis gratuitamente no portal Internet Segura.

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