Einstein adota exame de sangue que busca sinais de mais de 50 tipos de câncer

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Flavio Sartori

O Hospital Israelita Albert Einstein passou a oferecer o teste Galleri, exame de sangue que identifica sinais moleculares associados a mais de 50 tipos de câncer. A tecnologia foi desenvolvida pela empresa norte-americana GRAIL e chega ao Brasil por meio da Gênesis Genomics, joint venture entre o Einstein e o Grupo Fleury.

O teste custa R$ 6.990, é realizado na rede particular, não tem cobertura de planos de saúde e exige solicitação médica. A análise da amostra é feita nos Estados Unidos, e o resultado leva cerca de um mês.

O Galleri analisa fragmentos de DNA livre circulante e padrões de metilação no sangue, alterações químicas que podem indicar a presença e a provável origem de células cancerígenas. A proposta é detectar sinais associados à doença antes do surgimento de sintomas, inclusive em tumores que atualmente não têm estratégias rotineiras de rastreamento, como cânceres de pâncreas, fígado e ovário.

O teste é indicado principalmente para pessoas assintomáticas com 50 anos ou mais, após avaliação médica. Gestantes e pacientes em tratamento ativo contra o câncer não devem realizar o exame.

Um resultado positivo não confirma a existência de câncer. Nesse caso, o paciente precisa passar por exames complementares direcionados ao órgão indicado pelo teste. Já um resultado negativo não elimina totalmente a possibilidade de doença e não substitui o acompanhamento médico nem os exames de rastreamento já recomendados.

Segundo especialistas do Einstein, o Galleri deve ser utilizado como complemento aos exames tradicionais. Atualmente, há recomendações de rastreamento de rotina para cinco tipos de câncer: mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata.

"Hoje, o rastreamento de rotina é recomendado para apenas cinco tipos de câncer. O Galleri não deve substituir esses exames, mas ser utilizado em conjunto com as estratégias existentes de rastreamento do câncer", explica Dr Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein.

A chegada do exame ocorre em um cenário de alta incidência da doença no país. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028, considerando todos os tipos da doença. Excluídos os tumores de pele não melanoma, a projeção é de aproximadamente 518 mil casos anuais.

Estudos internacionais avaliaram o uso do Galleri como ferramenta complementar de detecção precoce. O PATHFINDER, publicado em 2023, analisou 6.662 adultos com 50 anos ou mais e demonstrou a viabilidade do uso do teste em ambiente clínico.

Já o PATHFINDER 2, com 35.878 participantes dos Estados Unidos e do Canadá, apontou aumento de 6,5 vezes no número de cânceres recém-detectados quando o exame foi adicionado aos rastreamentos recomendados. O estudo registrou especificidade de 99,6%, taxa de falso positivo inferior a 0,4% e acurácia de 91,3% na indicação da provável origem do sinal.

Outro estudo, o NHS-Galleri, acompanhou mais de 140 mil pessoas no Reino Unido. Embora não tenha atingido o objetivo principal de reduzir de forma estatisticamente significativa a incidência combinada de cânceres nos estágios III e IV, a pesquisa identificou aumento na detecção de tumores nos estágios I e II, redução de casos no estágio IV e queda nas apresentações de emergência relacionadas ao câncer.

Ainda não está comprovado, porém, se o uso do teste reduz a mortalidade ou aumenta a sobrevida dos pacientes. Esses efeitos dependem de acompanhamento de longo prazo.

Para Nam Jin Kim, diretor médico de Oncologia e Hematologia do Einstein, a adoção do Galleri representa um avanço na medicina de precisão e na integração entre tecnologia, pesquisa e assistência. O hospital também planeja inaugurar um centro oncológico em 2027, com foco em uma abordagem multiômica.

"A incorporação do teste Galleri de forma pioneira evidencia nossa capacidade em conectar ciência, tecnologia e assistência de alta complexidade para transformar inovação em cuidado", afirma Kim.

A Gênesis Genomics informa que o exame amplia o acesso a ferramentas de genômica e medicina de precisão no Brasil. A empresa orienta que o teste seja feito somente com acompanhamento médico e sem abandonar as estratégias convencionais de prevenção e rastreamento.

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