Novo malware "Yoba" usa programas assinados da OpenAI e da Anthropic para infectar usuários

imagem gerada por IA

Flavio Sartori

A Check Point Research descobriu o Yoba, uma campanha de malware que explora a busca por ferramentas de IA. Os criminosos criam projetos falsos no GitHub, que fingem ser aplicativos de desktop como "GPT-5.6 Sol", "GPT-6 Astra" e "Claude Opus". Esses projetos aparecem entre os primeiros resultados do Google.

A Check Point afirma que não há indícios de que OpenAI, Anthropic, ChatGPT ou Claude tenham sido invadidos. Os atacantes apenas aproveitam a confiança nas marcas e arquivos legítimos para dar credibilidade ao download.

Os botões de download levam a arquivos ZIP hospedados em releases do GitHub. Dentro do pacote, o Setup.exe é um executável legítimo, assinado digitalmente pela OpenAI ou pela Anthropic. Ao ser aberto, ele carrega uma biblioteca maliciosa, a winmm.dll, que está na mesma pasta. A técnica se chama DLL sideloading.

“Uma assinatura digital válida garante a autenticidade daquele programa específico, mas não dos arquivos que o acompanham”, afirma Eli Smadja, chefe de Pesquisa da Check Point Research.

Os repositórios não mostram sinais de curtidas ou forks falsos para ganhar visibilidade no GitHub. Os pesquisadores atribuem o bom posicionamento no Google ao "envenenamento" de SEO, com títulos, descrições e domínios de hospedagem otimizados.

O primeiro estágio, chamado YobaDropper, verifica se foi aberto pelo programa legítimo, valida o idioma do sistema, usa pausas longas para driblar ambientes de análise e exige privilégios de administrador. Depois, cria tarefas agendadas no Windows para persistir após reinicializações.

O YobaLoader contata um canal no Telegram e usa a imagem de perfil para gerar o domínio de destino. Em seguida, faz consultas DNS criptografadas pelo serviço do Google para obter instruções de download. Isso permite trocar a infraestrutura apenas alterando a foto do canal.

Nas infecções analisadas, o malware final foi o XMRig 6.26.0, um minerador de criptomoedas. Ele é injetado no processo svchost.exe, se conecta por Tor e pausa a mineração quando detecta uso ativo do computador.

Os pesquisadores alertam que o YobaLoader é genérico e pode executar qualquer executável ou comando em PowerShell. Futuras campanhas podem distribuir ransomware, ladrões de credenciais ou outros malwares.

A empresa orienta empresas e usuários a:

  • Baixar ferramentas de IA apenas de canais oficiais dos fornecedores, evitando links de terceiros, repositórios não validados e resultados de busca orgânicos ou patrocinados.
  • Limitar privilégios de administrador nos computadores e aplicar controle de aplicações.
  • Usar soluções de segurança comportamental para identificar programas legítimos que carreguem bibliotecas não assinadas ou façam comunicações suspeitas.
  • Aplicar inteligência de ameaças com IA para inspecionar tráfego criptografado, identificar domínios gerados por algoritmos e bloquear repositórios externos não confiáveis.

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