Profissionais de tecnologia podem ganhar até R$ 45 mil por mês em supply chain, aponta estudo

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Flavio Sartori

O setor de supply chain vive um paradoxo na adoção da inteligência artificial: 90% das empresas reconhecem benefícios no uso da tecnologia, mas apenas 19% colocam inovação e IA entre suas prioridades. É o menor índice entre os 15 setores analisados pelo Guia Salarial 2027, da Michael Page, e está abaixo da média nacional, de 30%.

O acesso às ferramentas também segue restrito: 83% das companhias da área oferecem acesso limitado ou nenhum às soluções de IA. Ao mesmo tempo, 73% colocam a redução de custos entre suas prioridades e 53% citam a otimização de estruturas e pessoas.

“Supply chain tem uma equação curiosa: precisa investir para continuar reduzindo custo. Uma previsão de demanda melhor pode significar menos estoque parado, uma compra mais precisa ou menos urgência na logística”, afirma Gustavo Barbosa, gerente sênior de recrutamento e seleção da Michael Page Brasil.

As dificuldades de abastecimento dos últimos anos mudaram o perfil procurado pelo mercado. Cresce a demanda por profissionais capazes de conectar planejamento de demanda, estoque, produção, compras e logística, em vez de atuar em uma única etapa da cadeia.

A área de compras ganhou relevância pela necessidade de renegociar contratos e garantir fornecimento, enquanto o supply planning avança por conectar diferentes partes da operação. Encontrar esses profissionais, porém, é um dos principais gargalos: 73% das empresas apontam dificuldade para atrair candidatos qualificados.

Apesar do reconhecimento dos benefícios da tecnologia, apenas 2% das empresas de supply chain apontam a falta de competências em IA e tecnologia como desafio para contratar — o menor percentual do levantamento.

Para Barbosa, o dado reflete o estágio inicial de adoção. “A partir do momento em que previsão, estoque e planejamento começarem a depender mais dessas ferramentas, o profissional que souber conectar tecnologia à operação ficará mais difícil de encontrar”, avalia.

Supply chain também está entre as áreas mais presenciais: 69% das empresas trabalham em modelo integralmente presencial, ante 51% na média nacional. Além disso, 48% não pretendem conceder aumentos salariais além dos reajustes obrigatórios no próximo ano.

Entre os profissionais, 69% considerariam sair da empresa por falta de perspectiva de crescimento. O resultado reforça a importância de plano de carreira, benefícios e qualidade de vida na disputa por talentos.

O Guia Salarial 2027 ouviu 5.762 profissionais e 1.955 empresas e mapeou mais de 400 cargos em 15 setores. Na camada de gerência de empresas de grande porte, os maiores salários mensais em supply chain são:

  • Gerente de compras no setor farmacêutico: R$ 45 mil.
  • Gerente nacional de operações em transporte, operações, logística e trade: R$ 43 mil.
  • Gerente de supply chain em transporte, operações, logística e trade: R$ 40 mil.
  • Gerente de compras em transporte, operações, logística e trade: R$ 40 mil.
  • Gerente de logística no setor farmacêutico: R$ 40 mil.
  • Gerente de supply chain no setor farmacêutico: R$ 39 mil.
  • Gerente de operações em varejo e e-commerce: R$ 39 mil.
  • Gerente nacional de operações no setor farmacêutico: R$ 39 mil.
  • Gerente de planejamento de demanda e produção no setor farmacêutico: R$ 38 mil.

A remuneração varia conforme o segmento. Um gerente de compras chega a R$ 45 mil no setor farmacêutico e a R$ 30 mil em TI e telecomunicações — uma diferença de 50% para a mesma função. Cadeia fria, rastreabilidade e exigências regulatórias ajudam a explicar a liderança do segmento farmacêutico.

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