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A necessidade de profissionalizar a gestão é o principal motivo para empresas brasileiras criarem ou ampliarem seus conselhos, segundo pesquisa realizada pela Wide em parceria com a Associação Brasileira de Conselheiros Consultivos (ABC3). O fator foi citado por 50% dos entrevistados, à frente da busca por apoio à estratégia (41%) e dos planos de crescimento e expansão (32%).
O estudo “A Governança em Evolução” ouviu 178 profissionais — 121 conselheiros e 57 empresários — entre abril e julho de 2026. A amostra reúne empresas de diferentes portes e setores, com predominância de companhias B2B (26%), indústria e manufatura (13%) e construção e infraestrutura (11%).
Entre as empresas que estruturam ou fortalecem seus conselhos, o crescimento aparece como principal prioridade estratégica, citado por 80% dos respondentes. O ganho de eficiência vem em seguida, com 67%. Sucessão (17%) e estruturação da governança (13%) aparecem em proporções menores.
Apesar do movimento de profissionalização, as decisões ainda permanecem concentradas nos fundadores em 53% das empresas. Em 32% dos casos, a liderança já conduz os temas estratégicos com maior autonomia.
Na avaliação de acionistas e empresários, as principais deficiências dos conselhos são a falta de direcionamento estratégico (55%) e a ausência de uma visão mais robusta sobre tecnologia e transformação digital (45%).
A pesquisa também analisou o perfil e a trajetória dos conselheiros. Entre os entrevistados, 39% têm entre 55 e 64 anos, e mais de 60% já ocuparam cargos de diretor, head ou C-level. Outros 17% tiveram experiência como CEO.
Nos primeiros cinco anos de atuação, é mais comum que o profissional participe de um ou dois conselhos. Com o ganho de experiência, a atuação tende a se ampliar. O networking é o principal caminho para novas oportunidades: mais de 82% dos convites recebidos pelos conselheiros tiveram origem na própria rede de relacionamentos.
A remuneração, porém, ainda não segue um padrão consolidado. Enquanto 33% dos conselheiros recebem remuneração fixa, 30% afirmam não receber pagamento pela atuação.
Na visão dos conselheiros, os principais obstáculos para uma atuação efetiva são a falta de estrutura de gestão (45%), a baixa clareza sobre papéis e responsabilidades (42%) e a ausência ou insuficiência de indicadores (40%).
Questões societárias, como conflitos entre sócios e resistência em aceitar a atuação do conselho, também podem limitar a qualidade das discussões e dificultar a tomada de decisões. Para funcionar adequadamente, o conselho precisa ter mandato claro, acesso a informações confiáveis e condições para acompanhar a execução das estratégias.
"Muito mais do que representar uma mudança na composição da liderança, o conselho envolve a busca por uma maior qualidade na dinâmica das decisões, apoio às prioridades estratégicas e uma visão mais estruturada sobre a gestão", afirma Thiago Xavier, headhunter e sócio da Wide.
O levantamento indica que a governança deixou de ser apenas uma estrutura institucional e passou a ser vista como instrumento de crescimento, eficiência e sustentabilidade corporativa.
Embora a adoção de conselhos ainda esteja em processo de amadurecimento e distante de um modelo plenamente institucionalizado, o movimento ganha força à medida que as empresas crescem, tornam-se mais complexas e precisam lidar com desafios relacionados a tecnologia, sucessão e transformação digital.

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