Startup brasileira usa IA em hemogramas para identificar risco de câncer e é premiada em desafio global
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A Huna, startup brasileira que aplica inteligência artificial a exames de sangue de rotina para identificar pessoas com risco elevado de câncer, foi reconhecida no Future Health Impact Challenge, realizado pela Future Health – A Global Initiative by Abu Dhabi em colaboração com o MIT Solve. A empresa foi a única brasileira entre as três equipes premiadas, entre 393 candidaturas de 68 países.
A tecnologia não diagnostica câncer a partir do exame. Ela analisa dados de hemogramas já existentes para estratificar o risco e priorizar pacientes que podem se beneficiar de investigação complementar e encaminhamento adequado.
A Huna recebeu o prêmio de Distinguished Finalist e US$ 50 mil no desafio, anunciado em maio, em Genebra, durante a semana da Assembleia Mundial da Saúde da OMS. A startup dividiu o reconhecimento com a australiana ThinkMD e a norte-americana Vector Control Innovations.
A empresa agora participa do Future Health Summit, em Abu Dhabi, entre 20 e 22 de outubro. O evento reúne representantes de cerca de 100 países e discute como dados, IA e genômica podem ajudar sistemas de saúde a antecipar riscos e agir antes que doenças avancem.
Fundada em 2022, a Huna desenvolveu uma plataforma treinada com dados de mais de 5 milhões de pacientes. O sistema identifica padrões em hemogramas de rotina e gera uma triagem de risco para cinco tipos de câncer: mama, colorretal, pulmão, próstata e colo do útero.
A proposta é usar um exame já amplamente disponível e de baixo custo como ponto de partida para a identificação precoce. Depois do alerta de risco, a plataforma também orienta o paciente ao longo da jornada de investigação, com o objetivo de reduzir atrasos e abandono do acompanhamento.
No Brasil, a tecnologia já foi usada na triagem de mais de 500 mil pessoas e contribuiu para a identificação de centenas de casos de câncer, segundo informações do desafio.
A empresa possui mais de 20 artigos científicos publicados e parcerias com laboratórios e centros de câncer no Brasil. Para Vinicius Ribeiro, CEO e cofundador da Huna, o reconhecimento mostra que o país pode criar tecnologia capaz de contribuir para desafios globais de saúde.
“O câncer atravessa fronteiras, e os exames de sangue que usamos como ponto de partida também fazem parte da rotina de saúde em todo o mundo”, afirmou Ribeiro.
A história da Huna também integra um documentário de oito minutos sobre as três iniciativas premiadas, exibido durante a cúpula em Abu Dhabi.

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