Tecnologia brasileira pode ampliar diagnóstico de HPV na rede pública

Flavio Sartori

Uma plataforma brasileira de automação laboratorial pode ajudar o SUS a ampliar o diagnóstico molecular do HPV. O Amplio Station 9600, da Loccus, é capaz de processar até 960 amostras por turno e já está em operação no Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE), primeiro do país a utilizar o equipamento.

A tecnologia reúne em uma única plataforma etapas que, em processos convencionais, exigem equipamentos separados e intervenções manuais: do processamento das amostras coletadas em meio de citologia líquida até a análise por PCR em tempo real.

A chegada do equipamento ocorre em um momento de mudança na prevenção do câncer do colo do útero. Em 2025, o Ministério da Saúde incorporou o teste molecular de DNA-HPV como método primário de rastreamento no SUS. O exame identifica variantes do vírus associadas à doença antes do surgimento de alterações celulares.

A ampliação do rastreamento exige laboratórios com maior capacidade de análise, procedimentos padronizados e prazos menores para a liberação dos resultados. Segundo a Loccus, a automação pode reduzir a manipulação manual, melhorar a rastreabilidade das amostras e otimizar o trabalho das equipes.

“A ampliação do rastreamento molecular do HPV no Brasil exige não apenas a disponibilidade de testes, mas também laboratórios preparados para atender a essa demanda”, afirmou Thais Machado Mariano Corrêa, gerente comercial da Loccus.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2026-2028, o câncer do colo do útero deve atingir 19.310 mulheres por ano no Brasil. O Nordeste concentra 6.130 casos, cerca de 32% do total nacional. Em 2024, a doença provocou 7.493 mortes no país.

A infecção persistente por tipos de HPV de alto risco está associada à quase totalidade dos casos. Diferentemente do papanicolau, que identifica alterações nas células do colo do útero, o teste molecular detecta o material genético do vírus.

A estratégia da Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê, até 2030, vacinar 90% das meninas contra o HPV até os 15 anos e garantir que 70% das mulheres sejam rastreadas com testes de alto desempenho até os 35 anos e novamente até os 45.

A experiência em Pernambuco poderá servir de referência para avaliar o uso de equipamentos automatizados em outros laboratórios centrais de saúde pública, que recebem amostras de diferentes municípios.

A expansão para outros estados, porém, dependerá de análises técnicas, custos, infraestrutura disponível e necessidades de cada rede. Para a Loccus, o aumento da capacidade laboratorial deve vir acompanhado de ações de coleta, transporte de amostras e encaminhamento das pacientes.

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