Telecomunicações avançam em IA, mas ainda lutam para transformar tecnologia em resultado

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Flavio Sartori

O setor de telecomunicações apresenta alta maturidade tecnológica, mas enfrenta dificuldades para converter investimentos em IA, nuvem e automação em ganhos escaláveis e recorrentes. É o que aponta o KPMG Global Tech Report 2026: Telecommunications, baseado em entrevistas com 104 líderes de empresas com receita anual de pelo menos US$ 1 bilhão.

Segundo o estudo, 47% das organizações se consideram inovadoras ou adotantes iniciais de novas tecnologias. Na prática, 74% afirmam ter gerado US$ 50 milhões ou mais em valor com tecnologias digitais nos últimos 12 meses; 8% atingiram US$ 1 bilhão ou mais.

A inteligência artificial é apontada como uma das principais alavancas do setor. Hoje, 54% das empresas realizam investimentos estratégicos em IA e já obtêm retorno em alguns casos de uso, enquanto 22% dizem ter a tecnologia implementada em escala, com resultados em múltiplas iniciativas.

A expectativa, porém, é de aceleração: nos próximos 12 meses, 76% das companhias esperam alcançar esse estágio de implantação em escala. Além disso, 88% dos entrevistados atribuem entre 21% e 40% do valor digital gerado às tecnologias de IA e inteligentes.

“O setor de telecomunicações já ultrapassou a fase de experimentação tecnológica e começa a entrar em uma etapa decisiva: transformar IA, armazenamento em nuvem, automação e dados em resultados concretos e recorrentes”, afirmou Felipe Catharino, sócio-diretor da KPMG no Brasil.

Apesar do avanço, obstáculos operacionais limitam a captura de valor. No levantamento, 77% das empresas apontam problemas de previsão e outros 77% citam conflitos entre custo e velocidade como fatores que prejudicam outras áreas do negócio.

Também foram mencionadas dificuldades para obter patrocínio interno ou recursos suficientes para iniciativas tecnológicas, relatadas por 65% dos respondentes. Nesse cenário, 58% consideram a tecnologia atualmente uma fonte maior de risco do que de resiliência.

A IA agêntica — sistemas capazes de executar tarefas de forma mais autônoma — vem remodelando as organizações. Segundo a KPMG, 91% das empresas de telecomunicações investem na tecnologia para formar uma força de trabalho híbrida, que combina profissionais e agentes digitais.

Além disso, 83% afirmam que suas estratégias de contratação já incluem funções nativas de IA. A transformação reflete a necessidade de equipes capazes de gerenciar sistemas inteligentes, dados e automação em operações cada vez mais integradas.

Para os próximos 12 meses, as principais prioridades tecnológicas do setor são:

  • Cibersegurança, citada por 78% das empresas.
  • Dados, prioridade para 76%.
  • IA e automação, apontadas por 74%.
  • Cloud, também citada por 74%.

A expectativa é de implementação acelerada: 66% das companhias preveem ter IA e automação totalmente escaladas, 63% esperam o mesmo para cibersegurança, 58% para nuvem e 54% para computação.

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