Uso de celulares conectados a satélites cresce na América Latina, aponta Ookla

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Flavio Sartori

O uso da conectividade satelital direta ao dispositivo (D2D, na sigla em inglês) está acelerando na América Latina, segundo análise da Ookla. A tecnologia permite que celulares comuns se conectem diretamente a satélites, sem antena, aplicativo ou equipamento adicional.

O estudo analisou onde e como os telefones da região usam o serviço. O uso cresceu cerca de 2,4 vezes no Chile e 1,8 vez no Peru desde janeiro de 2026, embora a partir de uma base pequena.

Em um dia típico de setembro de 2026, a proporção de celulares conectados a satélites no Chile foi cerca de duas vezes a dos Estados Unidos. Também foi cerca de um terço maior que a do Canadá e ligeiramente superior à da Austrália.

A Ookla relaciona o avanço à falta de cobertura terrestre: no terceiro trimestre de 2026, 2,9% dos celulares no Chile e 3,6% no Peru ficaram sem serviço, contra cerca de 1,4% nos EUA.

Na região, 5% da população da América Latina e do Caribe, cerca de 31 milhões de pessoas, vive em áreas sem sinal celular, segundo a GSMA Intelligence citada no estudo.

No Chile, cerca de 44% do uso em pontos fixos ocorreu em locais onde as pessoas vivem, principalmente casas isoladas no campo. Outros 28% aconteceram perto de locais de trabalho, incluindo cerca de 12% em minas e 6% em outros sites industriais e comerciais.

No Peru, a mineração teve peso ainda maior: cerca de 15% do uso em pontos fixos ocorreu em minas, e 18% se forem incluídas as cidades mineradoras.

No Peru, onde o regulador publica mapas de cobertura das operadoras, quase metade (47%) do uso em pontos fixos aconteceu fora da área combinada de cobertura informada pelas quatro operadoras. Cerca de um quarto das conexões estava a mais de 1 km do limite de cobertura, e 6%, a mais de 10 km.

Por outro lado, pouco mais da metade do uso ocorreu dentro da cobertura declarada, o que pode indicar conexões instáveis nas bordas das redes. A Ookla cita ainda mapas desatualizados, relevo e acordos de roaming como possíveis causas.

Equador, Costa Rica e Panamá passaram a registrar atividade D2D. No Equador, o serviço da estatal CNT com a Starlink foi lançado em setembro, e em 11 dias houve conexões em 20 das 24 províncias do país.

Na Venezuela, o uso diminuiu depois de ativações de emergência limitadas, motivadas por um terremoto. A Ookla também destaca que a Starlink lançou o D2D no Brasil em parceria com a Vivo nesta semana.

A Entel, parceira da Starlink no Chile e no Peru, informou que 10% dos clientes que migraram para sua rede no segundo trimestre de 2026 o fizeram especificamente por causa do serviço D2D via satélite

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